segunda-feira, 27 de agosto de 2007

REACÇÕES
Os meus filhos estão chateados!
Chateados é pouco!
Odeiam-me!
Odeiam a Austria!
Odeiam Viena!
Odeiam a escola!
Odeiam os professores!
Os coleguinhas!
Não percebo porquê!
Uma escola que até tem 48 nacionalidades!
O Francisco até já descobriu que os sírios não são todos pretos, sorry, negros!
Continuo a não entender!
Será por terem acabado as aulas no fim de Junho e por terem a expectativa de estar de férias até dia 14 de Setembro, isto é, 2 meses e meio?
Na Prainha, em São Martinho, na Praia Grande, na Bogalheira, no Brasil!!
Em vez deste programa fantástico, eu chamei-os no dia 9 de Julho a dizer que tinha sido convidado para ir viver e trabalhar 3 anos para a Austria (onde, by the way, se fala alemão) e que tinham um exame em inglês na semana seguinte, no dia 18 de Julho, em Viena, para entrarem na Dannube International School, e que começariam as aulas, e começaram, no dia 22 de Agosto.
Será por isto?
São umas crianças muito sensíveis!
Muito mal habituadas!
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No dia do exame a Mana entrou na sala, fez o exame e saíu porta fora!
Veio a menina da secretaria, aflita ter com os pais:
- ela já acabou? Pois...
- de certeza? Pois...
- mas será que está tudo certo? Que está alguma coisa certa? Pois...
- nunca vi nada assim! Pois...
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O Xico tinha que fazer um texto em francês e queria falar de um rio. Não se lembrava como escrever rio. Mas lembrou-se das palavras dos pais: nunca desistas, tenta sempre, escreve qualquer coisa. Meu dito, meu feito, saiu a palavra ré! Podia ser pior.
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Antes de corrigirem os exames queriam pô-los ambos num ano abaixo. Por causa do alemão, diziam! E eu e a Teresa: pôrra! Mais uma chatice! Nenhum deles vai aceitar que o ponham num ano abaixo: ir para a Austria e perder um ano!
Quando chegou a carta a dizer que eles ficariam nos anos que queriam falei imediatamente ao Quico a dizer-lhe: em que ano querias ficar? Décimo! Ficaste!
A reacção dele foi: “ e a Mana?”
No nono. Yes, yes, yes! Foi um alívio para todos a Mana ficar no ano que queria: se assim não fosse era o fim do mundo. Para nosotros!
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A bela Isabel está feliz: tem tanta sorte que a professora, a Julie, que acho que é australiana, arranha umas coisas de espanhol. Foi mesmo a única coisa que a Isabel percebeu quando foi conhecer a escola e a professora: estás bien? Embora o inglês dela já esteja fantástico e com um vocabulário riquíssimo: flower, cat, dog, hello e ... (coço a cabeça) school.
E tem tanta sorte que tem uma amiga brasileira na aula.
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A Teresinha está ao rubro! Pudera!
Nunca tinha saído da av. João Crisóstomo.
A última vez que esteve em Portugal telefonou para a mãe Teresa a dizer: estou sózinha no mundo, a minha família abandonou-me!
Agora, vive 24 horas com a família toda.
Até já conhece o pai.
Entra nas lojas e vai para a montra fazer de manequim!
Nos restaurantes vai ter com os austríacos aos gritos que vêm muito aflitos ter connosco a perguntar “was will sie?” (o que é que ela quer?) “Ai angri” diz a Teresinha aos gritos. Fome, tenho fome!
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A nossa futura casa não é má: é um sétimo andar com uma casa simpática de um lado, um jardinzinho no meio e uma casa pequena do outro lado: para os convidados, amigos, visitas, que esperamos sejam muitas.
Mas tem uma coisa muito melhor: é ao lado do Belvedere!
O Belvedere é um palácio fantástico que, como Versailles, até tem uma Orangerie!
E á ao lado do Palais Schwarzenberg, que pertence ao actual Príncipe do dito nome, nascido na Suíssa e Ministro dos Negócios Estrangeiros da Republica Checa!
Mas nada disto interessa! O que interessa é que o jardim do Belvedere parece o Parque Eduardo Sétimo, como podem ver na fotografia: um sonho! Parece que estamos em Lisboa!
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Onde está a Mãe?
Perguntei eu dois dias antes de irmos para Vienna.
No computador, diz um deles. A fazer cartões de visita!
KÉÉÉ???? (palavra que os pretos, sorry, os negros, dizem e cuja tradução é: desculpe, importa-se de repetir pois eu não entendi o que me acabou de dizer?)
A fazer cartões de visita de Theresa do Carmo, Baronini von qualquer coisa para pôr nas nossas malas prá Austria. Ah! (digo eu sem pestanejar) e está lá há muito tempo?
Teve a manhã toda.
No dia seguinte, um dia antes de irmos para Vienna: onde está a Mãe? Está no cabeleireiro. Ah (digo eu sem pestanejar).
E tiro os quadros todos da casa, e arranco os pregos não vá alguém pensar em pô-los lá outra vez.
Quando a Mãe (das crianças) chega, pára, olha para as paredes e diz: esta casa está muito vazia, tiraste os quadros?
Teresa, nós vamos viver para Vienna amanhã, que tal começarmos a fazer as malas?
...
Sono, tenho sono!
Vou dormir!
Até amanhã.
Xau xau

O Pai

3 comentários:

Anónimo disse...

Meine deere Graff und Graffin und Grafinhos von Daun
Pelo que vejo está tudo ao rubro. Têm que passear mais no Belvedere para refrescar!
A Graffin Thereza também vai trabalhar?
Beijos e abraços,
JCCCanelas

Anónimo disse...

Gostas de Agua com Gás?? Levas com ela na cabeça! Atiro-te pela janela!

Anónimo disse...

Bem, adora fazer essa brincadeira dos "pretos, sorry, negros)! Imagino que a adrenalina lhe corre a 100 à hora nesses momentos. Blarghhhhh... Isso já não se usa e é feio ensinar os filhos a segui-lo. Do que adianta ter um nome pomposo se se tem uma mente de ...
Ao menos`é menos um racista fora de Portugal
E ... olhe que não sou negro... sou bem mais tuga que você